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CDGV e Movimento de Mulheres Camponesas visitam a Feira de Economia Solidária de Mathias Lobato

  • Foto do escritor: Comunicação Cáritas Diocesana de Governador Valadares
    Comunicação Cáritas Diocesana de Governador Valadares
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

A Cáritas Diocesana de Governador Valadares (CDGV) e o Movimento de Mulheres Camponesas (MMC) visitaram a Feira de Economia Solidária do município de Mathias Lobato.


A MMC foi representada pela agricultora Maria Lucivanda Rodrgues e a CDGV pelo seu coordenador, Xabier Galarza.


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Visita à Feira de Economia Popular Solidária de Mathias Lobato. Foto: CDGV

Toda quinta feira e a partir das seis horas da manhã funciona a Feira de Economia Popular Solidária no município de Mathias Lobato. Feirantes das áreas rural e urbana do próprio município se encontram nas imediações da BR 116 para comerciar produtos da agricultura familiar, artesanato, roupas, quitandas, mel, comidas prontas, doces e outras iguarias.


A feira é uma iniciativa da sociedade civil apoiada pela prefeitura que conta com a parceria e a participação do Assentamento da Reforma Agrária Maria da Penha e o coletivo de feirantes do próprio município. A iniciativa conta com o apoio da Cáritas Diocesana de Governador Valadares, do Movimento de Mulheres Camponesas e do Fórum de Economia Popular Solidaria do Vale do Rio Doce.


No Brasil, a Economia Popular Solidaria (EPS) surge, por volta dos anos de 1980, como um movimento social em torno de práticas cooperativistas provenientes da busca de trabalho e renda por homens e mulheres desempregados – ou ameaçados de desemprego e/ou envolvidos em atividades econômicas informais.


Paul Israel Singer, além de ser um dos autores mais importantes e presentes no movimento da Economia Popular Solidária, foi coordenador da Secretaria Nacional de Economia Solidária no Brasil (SENAES), política pública criada a partir da demanda de articulações de vários grupos e órgãos de fomento da Economia Solidária junto aos Fóruns Sociais Mundiais de 2000 a 2002.


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Creuza Maria Batista, artesã da comunidade rural de Brejaubinha, município de Governador Valadares, mais conhecida como Zozó,  relata emocionada: ”conheci o Paul Singer na Feira Internacional de Porto Alegre. Ele falou para mim uma questão interessante: o problema do Brasil não é dinheiro nem a desigualdade. É o capitalismo que produz tudo isso. Fiquei fascinada com sua simplicidade e coerência!” Foto: Acervo Pessoal

Em meio a desencontros e contradições do próprio movimento, Singer afirma que a Economia Popular Solidária constitui um modo de produção alternativo. Diz também que tal afirmativa é mais uma aposta utópica, uma possibilidade futura, um desejo político, do que propriamente uma realidade. Mesmo assim e de forma concreta, o movimento da Economia Popular Solidaria movimenta e transforma no Brasil e no mundo a vida de milhões de pessoas.


A economia solidária é um campo de possibilidades pois possibilita autonomia financeira, independência, autoestima e melhoria das condições de vida, especialmente de mulheres do campo e da cidade.


Para a Cáritas Brasileira, a EPS é uma importante articulação que integra campo, floresta e cidade na construção de alternativas que gerem processos coletivos e autogestionários, visando a inclusão social e produtiva de pessoas e famílias vulneráveis afetadas pela pobreza e difícil acesso ao mercado de trabalho.


Não se trata de assistência, mas de autonomia. É uma estratégia de desenvolvimento sustentável que mostra, por outro ângulo, uma forma alternativa de produzir, consumir, vender, trocar e comprar. É um meio de buscar que a riqueza produzida no trabalho seja compartilhada de forma que todos tenham qualidade de vida.


A EPS nasce de uma postura crítica frente ao atual modelo econômico de exclusão e se guia por um mercado solidário, como apontava Ademar Bertucci, histórico assessor nacional da Cáritas Brasileira. Seus princípios centrais são a autogestão, a cooperação, a solidariedade e a democracia - valores que, na prática, se traduzem em grupos de artesãs que decidem juntas o preço do produto, agricultoras que organizam coletivamente a venda na feira, catadores e catadoras que transformam a cooperativa em instrumento de dignidade.


Em dezembro de 2024, a EPS alcançou um reconhecimento histórico quando o presidente Lula sancionou a Lei nº 15.068/2024, batizada como Lei Paul Singer, que cria a Política Nacional de Economia Solidária (PNES) e o Sistema Nacional de Economia Solidária (Sinaes), além de regulamentar empreendimentos desse tipo.  Pela primeira vez na história, após décadas de luta do movimento, a economia solidária tem um marco regulatório no Brasil

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