Cáritas Diocesana de Itabira lança “Caminhos da Escuta”
- Comunicação da ATI da Caritas Governador Valadares
- há 4 horas
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Documentário trata sobre o processo de fortalecimento das pessoas atingidas após a chegada da ATI nos Territórios de Rio Casca e Adjacências e do Parque Estadual do Rio Doce e sua Zona de Amortecimento
Produzido no contexto da atuação da Assessoria Técnica Independente prestada pela Cáritas Diocesana de Itabira, o documentário “Os Caminhos da Escuta” apresenta os impactos e desdobramentos do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, a partir das narrativas de pessoas atingidas nos Territórios 01 (Raul Soares, Rio Casca, São Domingos do Prata, São José do Goiabal, São Pedro dos Ferros e Sem-Peixe) e 02 (Bom Jesus do Galho, Caratinga, Córrego Novo, Dionísio, Marliéria, Pingo-d’Água e Timóteo), destacando o processo de reconhecimento, empoderamento e exercício do controle social na reparação.
Ocorrido em novembro de 2015, o rompimento da barragem de Fundão em Mariana, despejou cerca de 60 milhões de metros cúbicos de rejeitos no Rio Doce e seus afluentes, atingindo os estados de Minas Gerais e do Espírito Santo.
Há mais de dez anos, as pessoas atingidas nesses dois estados seguem buscando uma reparação justa pelos danos sofridos em decorrência do rompimento. Por isso, é importante refletir sobre questões que atravessaram essas comunidades atingidas: como viver em um território atingido por mineração todos esses anos? Como é se descobrir atingido(a)? Como reivindicar por direitos?
O documentário é resultado de três anos de atuação da ATI junto às comunidades, onde foi possível entender melhor a realidade e as violações de direitos sofridas por cada uma.
Nesse sentido, “Os Caminhos da Escuta” é composto por depoimentos de pessoas atingidas que vivem e convivem com os danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão nesses territórios ao longo de todos esses anos, em um cotidiano profundamente alterado pelo maior crime socioambiental já registrado no país.
Assim, em sua perspectiva narrativa, o material audiovisual traz, por meio da fala das diversas pessoas atingidas, da coordenação colegiada do projeto de ATI e do Procurador da República e ex-integrante da Força-Tarefa do Caso Rio Doce, Dr. Helder Magno, relatos sobre como esses territórios começaram a se reconhecer como atingidos e sobre o processo de empoderamento das comunidades pouco mais de dois anos após a chegada da Assessoria Técnica Independente.
De modo geral, o documentário busca, em seu escopo principal, responder a questão: “Qual o produto resultado do trabalho de uma Assessoria Técnica Independente em um território atingido pela mineração?” Uma reflexão urgente para aqueles e aquelas que compreendem que o trabalho de uma ATI se faz, antes de tudo, no exercício da escuta. Desse modo, a ATI se torna, também, uma ferramenta de resistência. Por isso, o resultado desse trabalho extrapola o documental, ele possibilita o direito à participação, permite uma contranarrativa e coloca à tona realidades que não podem ser apagadas.
Além disso, ele evidencia, a partir da narrativa das pessoas atingidas, o apagamento dentro do processo de reparação sofrido pelos Territórios 01 e 02 ao longo dos últimos anos, assim como traz à superfície a falta de informações sobre a totalidade do rompimento, que teve sua maior notoriedade no epicentro (Bento Rodrigues, em Mariana/MG), e na Foz do Rio Doce (Regência Augusta, em Linhares/ES). Aqui, destaca-se, inclusive, a ausência de estudos e pesquisas, inclusive acadêmicas, sobre os desdobramentos causados pelo rompimento da barragem de rejeitos nessas localidades também atingidas.
“Os Caminhos da Escuta” tem o compromisso de reforçar que, mesmo após mais de dez anos, as pessoas atingidas seguem buscando por seus direitos e por participação para que possam exercer o Controle Social dentro na reparação, pois só assim é possível entender como seus modos de vida foram alterados.
Confira alguns temas destacados pelo longa-metragem:
o reconhecimento dos Territórios 01 e 02 como também atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão;
a falta de acesso a informações sobre o rompimento e os direitos das comunidades, entre eles a ausência do cadastramento (executado pela extinta Fundação Renova até dezembro de 2021, antes da chegada da Assessoria Técnica Independente) para as pessoas atingidas desses territórios;
o autorreconhecimento das pessoas e comunidades desses territórios, localizados a mais de 170 quilômetros de distância de Bento Rodrigues, primeira comunidade atingida pelos rejeitos da barragem de Fundão, como atingidas pelo rompimento;
o processo de escolha e votação da ATI;
a chegada das Instituições de Justiça nos 13 municípios assessorados por meio de depoimentos do Procurador da República e ex-integrante da força-tarefa do Caso Rio Doce, Helder Magno;
os desafios de implementação da Assessoria Técnica Independente e de acesso à informação; e
o empoderamento das pessoas atingidas após o processo de reconhecimento e de instrumentalização sobre o processo de reparação.

“A gente desconhecia os nossos direitos, com a chegada da assessoria aí a gente foi entender. Achávamos que tinham direitos só aquelas pessoas onde as casas foram invadidas. Foi daí que a gente entendeu que tinha direito, porque o nosso meio ambiente foi afetado, a nossa renda foi afetada e, aí, com esse passar do tempo a gente foi entendendo melhor quais eram os nossos direitos e, com a chegada da assessoria nós aprendemos a reivindicar esses direitos”, Maria de Fátima, moradora atingida de São José do Goiabal.
É importante ressaltar que o filme não tem o objetivo, a partir do seu espaço narrativo, de “dar voz” às pessoas atingidas, pois essas comunidades nunca se calaram. Ele é, assim, o registro documental de um silenciamento rompido pela força coletiva desses dois territórios. Onde antes existia um território invisível, hoje se revela a história de luta e de existência. Por isso, trata-se do registro do fim de um silêncio histórico.

“Antes, nós lutava no escuro, soldado na batalha sem armas. Você era atacado e, muitas das vezes, não tinha defesa. Hoje nós temos alguém que nos auxilia e, além de tudo, ganhamos autoridade, reconhecimento. Hoje nós somos reconhecidos em toda a Bacia do Rio Doce”. Zé Durico, morador atingido de Pingo d’Água.
Para assistir ao documentário, é só clicar neste link.
Release feito pela Cáritas Diocesana de Itabira




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