Atingidos do Território 04 se formam como Aquaviários
- Fernando Gentil

- há 33 minutos
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Evento contou com uma homenagem póstuma à atingida Lindalva Semeão da Silva

A formatura do Curso de Formação de Aquaviários – Pescador Profissional Nível 1, ofertado pela Marinha do Brasil, por meio da Capitania Fluvial de Minas Gerais, foi um momento de emoção e agradecimento. O evento ocorreu no dia 26 de janeiro de 2026 e contou com a presença dos formandos das turmas 1 e 2.
Antes de se iniciar a entrega das carteiras aos mais novos aquaviários, foi feita uma homenagem à atingida Lindalva Semeão da Silva, com um minuto de silêncio pelo seu falecimento no dia 6 de dezembro de 2025. A atingida foi também uma das alunas do curso e seu nome e memória foram lembrados por todas e todos.
Após a homenagem, foi feita a entrega das carteiras pelas autoridades ali presentes. O Capitão dos Portos de Minas Gerais e também Capitão de Mar e Guerra, Alessandro de Paula Lima, falou da felicidade de conhecer melhor a cidade. “É muito difícil conseguir conhecer todo o estado, então, quando eu tenho a oportunidade de conhecer mais um município, eu fico muito feliz. Ainda mais Governador Valadares, um município que a pesca possui uma profunda relevância histórica, social e cultural”, afirmou.
O Capitão também parabenizou os formandos. “Desejo a todos muito sucesso na condução das suas atividades profissionais, ressaltando que a Marinha do Brasil conta com os senhores para a promoção de uma navegação segura e responsável”, complementou.
A cerimônia foi conduzida pelo Suboficial da Marinha, Luiz Carlos da Silva, e também teve a participação do Capitão de Corveta e Chefe do Departamento de Ensino Profissional Marítimo, Ricardo Rodrigues.
O momento do orador na formatura
Toda formatura precisa de um orador e no curso de aquaviários não foi diferente. O atingido e agora aquaviário Amarildo José Moreira foi o responsável por falar em nome dos formandos.
O orador iniciou o discurso agradecendo a presença e o trabalho de todos os envolvidos no curso. Logo após, fez um relato sobre como foi participar dessa formação. “Em uma turma tão diversificada, os problemas e esforços também tiveram valoração diferenciada. Nas duas semanas de curso, passamos por incertezas, dúvidas e absorção de conhecimentos teóricos. Alguns enfrentaram esse período com mais tranquilidade e outros nem tanto. Para alguns, houve deslocamentos longos, como nossos colegas de Ipatinga, outros com cansaço do trabalho e outros afazeres na família, mas, como diziam nossos professores ‘Ninguém fica para trás’ e, realmente, ninguém ficou para trás, exceto, se não me engano, dois alunos, por motivo de força maior. No final, temos a satisfação de estarmos aqui hoje com o objetivo alcançado” disse.

Ao citar Cora Coralina, ele fez uma reflexão sobre o saber e a sabedoria. “Nós, pescadores, já possuímos a sabedoria da pesca, que aprendemos com a vida, o dia a dia nos rios, nas dificuldades e ensinamentos de pessoas mais experientes ao longo dos anos. Os nossos instrutores da Marinha vieram para nos trazer o saber, que é a parte teórica, sendo ensinadas noções de primeiros socorros, motores, mecânica, comunicação, contenção de incêndios, navegação e outros. Cabe a nós juntar o conhecimento prático com o conhecimento teórico e sermos pescadores com muito mais qualificação” finalizou.
A palavra da Cáritas
O coordenador da Assessoria Técnica Independente da Cáritas Diocesana de Governador Valadares, Wellington Azevedo, tratou do histórico da instituição na defesa das pessoas e do meio ambiente. “Onde há calamidade, onde há dificuldades, onde há sofrimento, ali há a presença da Cáritas para enfrentar esses problemas. Foi assim que começamos o nosso trabalho junto às pessoas atingidas de Governador Valadares e Alpercata”, contou.
Ele também destacou o trabalho de mediador da ATI. “O que nós fizemos foi intermediar aquilo que vocês, atingidos, solicitaram para a Marinha. E fomos, na verdade, vocês foram prontamente atendidos, mesmo com todas as tarefas, atividades e agenda que a Marinha do Brasil possui”, finalizou.

Sobre o curso
A formação aconteceu entre os dias 17 e 28 de novembro de 2025. O curso habilita os alunos com as competências exigidas para atuação como Pescador Profissional (POP), Nível 1, conforme as normas da Autoridade Marítima (NORMAM 101/DPC). A formação qualificou os participantes a consolidarem, durante o período de embarque, os conhecimentos necessários para exercerem a função de Patrão de embarcações de pesca com AB ≤ 10 e potência de até 170 kW, nas navegações interior e costeira.
Após receber a demanda da formação por parte das pessoas atingidas, a ATI CDGV encaminhou um ofício à Marinha sobre a formação, que foi atendido e, a partir daí, articulada uma parceria entre a Marinha e a Assessoria Técnica Independente para a realização do curso no Território 4 (Governador Valadares e Alpercata). Essa é a segunda edição do curso apoiado pela Cáritas. Em 2023, foram 23 formandos, já na edição de 2025, 44 formandos.
Para viabilizar a formação, a ATI CDGV realizou diálogos com parceiros e cumpriu os procedimentos solicitados pela Marinha, como a apresentação de uma lista de pessoas atingidas interessadas na capacitação; a articulação com a Secretaria Municipal de Saúde de Governador Valadares, que viabilizou atendimento médico para avaliação da aptidão física dos inscritos; o diálogo com o Instituto de Medicina, Engenharia e Segurança do Trabalho (IMEST), que prestou atendimento gratuito aos participantes, emitindo o Atestado de Saúde Ocupacional (ASO); a articulação com a UFJF-GV, que garantiu espaço físico para a realização das aulas, realizadas na sede da UNIPAC em Governador Valadares; a solicitação de impressão de material didático para os alunos, além de outros apoios e acompanhamento. Também foram viabilizados os Testes de Suficiência Física (TSF), exigidos pela Marinha, realizados em duas datas e locais cedidos sem custos por meio de parcerias com o Garfo Club e o SESC.
O curso teve como objetivo, no âmbito do Plano de Trabalho da Assessoria Técnica Independente, promover a capacitação profissional de pessoas atingidas, fortalecendo suas competências técnicas e ampliando as oportunidades de geração de renda. A iniciativa contribuiu para o fortalecimento comunitário e para o acesso à formação técnica e cidadã, por meio da qualificação de participantes para o trabalho em embarcações, como barcos de pesca e navios de carga.
































































































































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