Funasa inicia ações de monitoramento da água em municípios da bacia do rio Doce
- Fernando Gentil

- há 23 horas
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Antes, as análises eram feitas por empresas contratadas pela Fundação Renova
A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) é, desde o início de maio de 2026, a responsável por monitorar e analisar a qualidade da água do rio Doce. Ela vai avaliar 173 pontos em toda a bacia, abrangendo 32 municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo.
A Funasa assume essa responsabilidade por conta das mudanças trazidas pelo Novo Acordo do Rio Doce que tiraram o dever de monitorar a água da Fundação Renova e passaram para o governo federal.
A escolha da Fundação foi feita a partir do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) assinado em abril de 2026. “A iniciativa busca garantir a continuidade do monitoramento ao longo da Bacia do Rio Doce e ampliar a produção de dados sobre a qualidade da água, contribuindo para a proteção da saúde das populações afetadas”, afirmou Alexandre Motta, presidente da Funasa, em release enviado à imprensa.

De acordo com o governo federal, as equipes já começaram a atuar antes mesmo do início oficial da operação. “Equipes da Funasa já fizeram o reconhecimento em toda a bacia – primeiro até Governador Valadares (MG) e, na sequência, no trajeto até São Mateus (ES). A ação incluiu coletas e reconhecimento técnico em cidades ao longo do percurso, com o objetivo de mapear pontos de análise e estruturar a atuação futura. Com base nesse reconhecimento, os técnicos da Funasa propuseram mais 64 pontos – dois em cada uma das 32 cidades – para avaliar a qualidade e a segurança da água para o consumo da população desses municípios, além da medição em 109 pontos já indicados previamente pela AgSUS”, explicou.
Como será o monitoramento?
A instituição informou que serão utilizadas três Unidades Móveis para Controle da Qualidade da Água para Consumo Humano (UMCQA) e outros três carros de apoio. Ao todo, serão 15 profissionais em toda a bacia. “As unidades móveis funcionarão como bases de análise, apoiadas por equipes de campo responsáveis pela coleta das amostras nos municípios. Esse modelo permitirá processamento ágil dos dados e cobertura simultânea de diferentes áreas da bacia”, disse Artur de Souza Moret, coordenador-geral de Ações Estruturantes em Saneamento e Saúde Ambiental da Funasa.
As análises serão divididas em duas: a chamada “sentinela”, que vai avaliar de forma rápida os possíveis riscos à saúde da população e, após isso, as análises complementares realizadas em laboratórios fixos da Fundação.
Segundo a entidade, serão avaliadas a quantidade de cloro, cloro residual, pH, turbidez e presença de microrganismos indicadores de contaminação, como coliformes totais e Escherichia coli.
A instituição não informou se irá analisar a presença de metais no rio, como cobre, manganês, ferro e outros. “O papel da Funasa é medir. A gente vai só identificar e dizer: essa água aqui você já pode usar, que já está boa”, relatou Carlos Henrique de Azevedo Moreira, diretor do Departamento de Saúde Ambiental (Desam) da Funasa.

As ações de tratamento e abastecimento seguem sob responsabilidade dos prestadores locais de saneamento.
As primeiras coletas que se iniciaram no dia 09 de maio de 2026 vão até o dia 16 de maio de 2026. Após isso, serão realizadas análises mensais em cada um dos pontos definidos pela Fundação. A expectativa, segundo a Funasa, é que já nas semanas iniciais seja possível acessar os primeiros resultados consolidados.




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